quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Argentina: férias de inverno e curso de espanhol

Quem me conhece sabe que eu não aguento ficar muito tempo sem viajar. O que inventei dessa vez foi um curso de espanhol na Argentina. Eu chamo essa viagem de o último suspiro antes da formatura e se pode ser chamada de intercâmbio, foi o 5º da minha vida. 
O curso foi em Córdoba, durante as minhas últimas férias/greve na universidade e teve duração de 4 semanas. A escola é a Able Spanish e eu recomendo. O curso é bom, os professores e materiais também, porém a hospedagem que eles oferecem é horrorosa, mas deu pra sobreviver (o nome é Solar Hostel e jamais se hospede lá! Estou bem acostumada com hostels por aí, mas este é sujo, fedido, desconfortável, enfim, o que salvou a estadia foram minhas colegas de quarto que eram muito legais e nos divertimos juntas). O objetivo de atingir um nível de intermediário a avançado na língua espanhola foi alcançado neste intensivo de 4 semanas.
Como o meu vôo era para Buenos Aires, decidi passar uns dias lá. Eu já conhecia a cidade, então optei por visitar os lugares que eu mais gosto e também para passear sem rumo. Optei por me hospedar no bairro Palermo Soho, que é o meu preferido. Fiquei no Hostel Suites Palermo e é muito bom. 
Não tenho nenhuma dica valiosa de Buenos Aires que já não tenha por aí em blogs especializados em viagens, porém um lugar que eu nunca tinha ouvido falar e me surpreendeu muito (diga-se de passagem, foi um dos dias mais felizes da minha vida) é o Zoológico de Luján: fica na cidade de Luján, há uns 80km de Buenos Aires e o diferencial deste zoológico é que as pessoas podem entrar nas jaulas e tocar os animais! Logo na entrada tem filhotes de leões que são criados com cachorros, pude entrar na jaula de leões adultos, tigres filhotes e adultos, macacos, elefantes, além dos animais que circulam soltos pelo zoo, como lhamas, patos, ovelhas, muuuitos cachorros, é muito legal! (Vejam as fotos!!). Foi o ponto alto da viagem! (E o ponto baixo foi ter assistido às Olimpíadas de Londres pelo iphone).
Bom, já Córdoba eu ouvi falar muito bem, que era uma cidade universitária com muitos estudantes, muita festa, muitos eventos culturais e etc., porém quando fui era período de férias e a cidade estava vazia. Achei interessante, mas depois de alguns dias já estava meio entediada na cidade. O que mais gostei foi a Universidade (que tem, pasme, 400 anos)! E também encontrei um cinema de filmes antigos e estrangeiros e vi todos os filmes possíveis e impossíveis, sozinha e acompanhada, isso fez da minha viagem mais feliz. No mais, achei tudo na Argentina muito mais caro do que eu esperava, principalmente alimentação. 
Perto de Córdoba conheci três cidades bonitas: Carlos Paz, La Cumbrecita e Villa General Belgrano. Carlos Paz tem um grande lago artifical, cassinos, lojas e restaurantes, é legal para passar o dia. La Cumbrecita é uma cidade germânica muito fofa que só se pode andar a pé e Villa General Belgrano também é alemã e lá tem a terceira maior Oktoberfest do mundo (a primeira é a de Munique e a segunda, a de Blumenau). 
Para quem quiser fazer este curso nas férias, o site é esse: www.scholarshipsargentina.org

Como viajei sozinha, não tenho muitas fotos minhas, só de cachorros fotogênicos!

MALBA

MALBA, um dos meus lugares preferidos em Buenos Aires

Jardín Japonés 

Meus colegas do curso, Fernando e Caio, experimentando cervejas artesanais em La Cumbrecita

Casa onde Che Guevara morou, quando criança, em Alta Gracia

Fernando e Paula experimentando cervejas artesanais em Villa General Belgrano

Feirinha em Córdoba


No Zoo de Luján


Lhamas simpáticas e esfomeadas nas filas


É de verdade, gente!





É assim, alguns animais ficam soltos e interagindo com as pessoas.

É de verdade, gente!


segunda-feira, 26 de março de 2012

Análise da obra Memorial do Holocausto (ou Memorial dos Judeus Assassinados na Europa), em Berlim, do arquiteto Peter Eisenmann

Um texto que escrevi para a disciplina de Teoria e Estética da Arquitetura.


O memorial é uma impressionante construção estrategicamente localizada entre o Portão de Brandemburgo e a Potsdamer Platz, no bairro de Mitte, centro da capital alemã. São 2711 colunas de concreto cinza escuro firmadas em 19 mil metros quadrados – um quateirão inteiro – erguidas com ângulos variados e alturas diferentes (as mais baixas, com menos de um metro, e as mais altas, com 4,7 metros), gerando uma ondulação que causa um poderoso impacto visual, sublinhado pela estreita espessura entre as colunas: os 95 centímetros entre elas oferecem um caminho livre para o visitante, mas a medida é quase insuficiente para dar passagem a duas pessoas ao mesmo tempo. No subsolo uma exposição multimídia sobre os judeus assassinados na Europa.
Memorial do Holocausto
Subsolo, exposição multimídia.
O monumento cumpre dignamente a sua função: lembra os seis milhões de judeus mortos, sem colocar em primeiro plano a barbaridade disso.
Para Peter Eisenmann, simplicidade é o que a o monumento provoca. Para muitos, as 2711 colunas servem como metáfora do horror. Eisenmann não usou nenhum simbolismo nesta obra. 

Construção de um não-lugar
O resultado é um lugar construído, quase um não-lugar, uma lembrança dedicada aos judeus assassinados e não um registro das barbaridades em si. 

Personificação do horror
No subterrâneo, ao qual se chega através de uma escada que se encontra quase de repente, localiza-se o Centro de Informações. Nenhuma placa, nenhuma indicação. Na entrada estão seis rostos com nomes e origem, personificando de forma direta a morte dos seis milhões de judeus. As cores predominantes são preto, branco e cinza em quatro espaços quadrados. 

Dimensões da memória 
Para o visitante que circula entre as colunas e depois desce "aos porões", a existência do Memorial provoca "uma pequena viagem: do nós até o eu." Visto de fora, o Memorial é dominado pela massa pura, por suas dimensões, pela amplitude do campo de colunas em cinza escuro. Neste momento, a percepção tende a ser coletiva, abstrata, geral – não importa se gostando ou não da arquitetura de Eisenman -  e dentro, o indivíduo entra em contato com as lembranças individuais. 
O filósofo italiano Giorgio Agamben, em texto publicado sobre o Memorial no semanário Die Zeit, vê o mérito da obra de Eisenman exatamente "no limiar entre as duas dimensões topográficas: uma sobre o solo, exposta, mas na qual nada se lê. E outra subterrânea, onde se tem acesso à leitura".
Eisenman considera o solo a autêntica idéia arquitetônica, o recurso que singulariza a arquitetura. O terreno que serve de suporte para a construção é o que diferencia a arquitetura das outras artes e da mídia. Para ele, o solo não se reduz a uma mera superfície, sendo muito mais locus que encerra a memória coletiva em camadas. Só através de um trabalho consciente com o solo o arquiteto pode atingir a totalidade midiática, ressalta o arquiteto.
Esta topografia provoca sensações positivas e negativas. Uma delas é que, apesar de ser ao ar livre, o memorial é um ambiente um pouco claustrofóbico, pelo tamanho dos blocos que chegam a ter mais de 4 metros de altura. Assim, só é possível ver o concreto e o céu, se olhar para cima.
A meta de Eisenman é colocar o visitante na posição de desorientação das vítimas do holocausto. Com isso, a arquitetura estaria proporcionando às pessoas uma nova experiência espacial, sem recorrer a imagens.  Ao mesmo tempo em que é algo belo, pode causar estranheza e até mesmo você pode se perder nele, sentir que está sozinho. Essa sensação forte, mas abstrata, foi proposital, Eisenman, que vem de família judia, buscou algo que não fosse um símbolo reconhecível, sem significados a transmitir.
Andar pelo Memorial é uma experiência impressionante. Os espaços entre os blocos de concreto têm a largura suficiente para passar apenas uma pessoa, tornando o percurso necessariamente solitário. Com a variação da altura dos blocos e a ondulação do terreno, à medida que se caminha parece que se está mergulhando e se perdendo em um labirinto cinzento. Sem ninguém ao seu lado e cercado de paredes estreitas, a sensação é de perda de direção, confinamento e solidão.
Ao sair, percebi que a intenção do Memorial foi atingida de uma forma bastante sutil. Senti por um breve instante um pouco da dor que passou um ser humano igual a nós. Com simplicidade, eficiência e sem ser agressivo, o Memorial é bastante tocante e nos leva a refletir sobre essa mancha feia no passado.
O monumento ocupa toda a quadra.
A topografia determina o movimento.


A sensação de claustrofobia para quem circula pelo monumento, causada pela altura e afastamento dos blocos.




sábado, 25 de fevereiro de 2012

Peru: Lima, Cusco e Machu Picchu

O intercâmbio acabou e ficaram registradas algumas lembranças das viagens! Para não abandonar totalmente o blog, vou registrar aqui todas as viagens que eu fizer. Começando pelo Peru! 
Eu e algumas amigas decidimos passar o Ano Novo no Peru. Pesquisamos e optamos por passar a virada em uma praia e depois viajar para conhecer Cusco, Machu Picchu e Lima. A praia escolhida foi Asia, fica a 200km de Lima. Ficamos no complexo Boulevard de Asia, no Hotel Aquavit. Nesse complexo tem restaurantes, lojas e hotéis e é perto de uma praia. É onde muitas pessoas de Lima vão passar os fins de semana no verão. Até aí ok, o hotel era legal, bebemos muitos drinks na piscina, mas a viagem começou a ficar realmente interessante quando partimos para Cusco. 
Cusco é uma cidade muito bonita e interessante, foi a sede do Império Inca no período pré-colombiano.

Ficamos no hostel Pariwana e muuuito recomendo! Foi um dos mais legais que fiquei na vida! O restaurante Chicha é muito bom, de comidas típicas cusquenhas e peruanas,  do chef Gastón Acurio. A comida peruana é muito boa! Um passeio que vale a pena, próximo a Cusco, é pelos povoados de Moray e Maras, onde tem as terraças circulares agrícolas e as salinas incaicas (abaixo tem fotos). Outra dica é ir pra Machu Picchu assim: pegar o trem um dia antes, dormir em Águas Calientes e subir para Machu Picchu de manhã cedo, pare evitar chegar lá ao meio dia e entrar na cidade com 28472424 turistas ao mesmo tempo... 
Machu Picchu é incrível, não tenho palavras pra explicar, só vendo pra saber como é! É tudo o que eu imaginava e mais um pouco! O lugar tem uma história e uma energia maravilhosa. Vale a pena contratar um guia na entrada da cidade, são vários e assim não se perde nada da história. Depois do passeio guiado dá pra ficar curtindo a paisagem! Eu conversei com o motorista da nossa van e ele explicou que Machu Picchu não vai fechar, como dizem, mas sim vai mudar o Plano Diretor e vão restringir as visitas à visitas panorâmicas, para evitar a deteriorização das ruínas. E em fevereiro a cidade fecha para manutenção e por causa do período de chuvas. 
Iniciamos e terminamos a viagem em Lima. O melhor bairro para se hospedar é Miraflores. O hostel também foi o Pariwana e é muito bom. Uma boa dica é alugar uma bicileta e fazer um bike tour pelos bairros Miraflores e Barranco (www.biketoursoflima.com). A orla tem uma arquitetura incrível, tanto dos prédios, de um lado, quanto dos parques, do outro lado. Fiquei realmente encantada! Já praia é um pouco desagradável, a areia é de pedra e o mar é escuro e gelado, além das cinzas vulcânicas que deixam as pessoas imundas dos pés a cabeça. Para comer, o que realmente faz-se muito bem em Lima, experimentei e gostei muito dos restaurantes Cebicheria La Mar, do chef peruano Gastón Acurio, o Pescados Capitales e também o Gastón e Astrid. Esses são considerados os melhores e mais caros restaurantes de Lima, mas comparando com Florianópolis, são incrivelmente baratos. Lá come-se MUITO BEM pagando muito pouco. Eu fiquei completamente apaixonada pelos ceviches, para sempre. Um bar bem bonito é o Ahayuasca.
Uma viagem que valeu a pena!
Festa de Reveillon no Aquavit
Conhecendo o Pacífico

Táxi com segurança...
Cebiche no supermercado.
Bar do Hostel Pariwana em Cusco
Indo para alguma festa em Cusco
No trem para Águas Calientes
Em Machu Picchu
!!!
!!!

Terraças Agrícolas Incaicas em Moray

Salinas
Povoado de Chinchero e as mantas de lã.


Chá de Coca para aguentar os efeitos da altitude em Cusco.
Algo bizarro é o trânsito e a barbeiragem de TODOS os motoristas.
Inca Kola: não gostei, mas tem que experimentar.
Esses milhos gigantes: choclos :)
Night life inLima